Eu tenho um amontoado de fotos, cartas e lembranças espalhados em minha vida. Tenho um cd arranhado com músicas que me lembram uma parte de mim em algum dia de minha vida, um dia como esses, que nunca se repetem, um dia em uma contagem regressiva de nossas vidas! Tenho uma singela lista de amigos que totalizam os dedos de apenas uma de minhas mãos. Tenho uma lista das melhores canções, melhores filmes, melhores livros…
Tenho uma lista das coisas que mais amo, dos melhores momentos de minha vida, das situações mais cômicas, tenho até uma lista de saudades…tenho uma lista de muitas páginas, em que fui uma pequena menina de grandes sonhos. A menina sorri para mim, enquanto eu noto sua expressão despretensiosa, um olhar de menina que desenhou muitas vezes uma casinha com um belo jardim, ela nem imagina, mas irá se esquecer de grande parte deles…irá conhecer outros modos de enxergar as coisas e em especial, as pessoas. Ela não sabe ainda, mas não há cartilhas que ensinem a viver e ela terá que sofrer durante algumas páginas para entender isso…
Em minhas inúmeras listas, há também listas infindáveis de “pequenas grandes coisinhas odiáveis”, rabiscos de rancores fincados impressos no papel, há lágrimas deixando sua visita em cores suavemente amareladas, há momentos de remorso, de fúria, de palavras essencialmente ofensivas e agressividade gratuita…
Há antes de mais nada, muita intensidade, para o melhor ou pior, para odiar ou amar…demorei um relativo tempo para entender o quão extremo são meus sentimentos e atos. Até onde podem ir nossas palavras? Nossas “verdades”?
Pensei como seria cômodo apagar as partes feias da história…
Elas jamais serão apagadas, assim como a casinha com belo jardim, o bem e o mal precisam coexitir para serem reais…
p.s. Absolutamente ausente de meu blog…
p.s.2 Alguns dias para remover as teias e poeiras depositadas nas palavras…
p.s.3 Bjocas imensas da galega para meus queridos: Dê e Chicuta!
Inté!
