
Era dia. O amarelo quente rompia no horizonte beijando os beirais dos telhados das casas. Todas as cores eram alegres agora, como se derpetassem. Ela sentou na janela de seu quarto, dobrou as pernas junto ao corpo. E permaneceu ali até se sentir novamente aquecida. Estava segura, sobrevivera as suas frustrações, enlouquecera com elas e adormeceu, quando o volume de sua loucura tornou-se apenas um chiado.
Repetiu incontáveis vezes o que ouvira, e não sabia se eram reais ou jorros de ódio. Mas e se os impulsos forem de fato as verdades? Aquilo em que não temos tempo de pesar com nossa razão “dosadora de verdades”? Ela adoraria acreditar que que os impulsos eram apenas insanidades ditas por dizer…ou melhor, para fincar na carne, agredir. Era tão fácil destruir, ela pensou. Era mais fácil SER O PRÓPRIO ÓDIO. Por que?
Eles haviam destruído muitas coisas durante todos esses anos, com uma velocidade maior do que construíam e por esses e tantos motivos, ele sucumbira. O amor, os deixou. Ele não foi embora sem despedidas. Ele foi se esvaíndo, lentamente…se retirando a cada choque, cada pedacinho de tinta da parede que desbotava…ela não saberia ser algo, sem isso. Não haveria recomeço, eles seriam os mesmos para sempre, era apenas uma questão de tempo para o ódio ser o dono do show. Também não valeria o “replay” daqueles momentos, enlouquecedoramente, dolorosos…
O amor dói. Achou que era piegas demais repetir frases como esta, mas agora sentia o peso dela. E só com isso soube o que significava. Dói quando ainda temos um fio de esperança para dar certo, mas não podemos tentar e esconder o que somos de fato, por muito tempo. Eles se mostrarão novamente, a farsa não resiste a sede de destruir tudo que se ama. E o que se ama de verdade?
Ela amava viverem as mesmas experiências novas ao mesmo tempo. E amava que ele a acordasse beijando seus “olhos matinais”, amava sentir saudades porque sabia que isso indicava que eles ainda “eram dois”…isso trouxe uma saudade, como se pudesse ser tudo como antes. Mas ela sabia que não, porque uma nuvem encobriu suas saudosas lembranças colocando-se imponente sobre seus motivos para agarrar-se a elas. A razão trouxera a água suja e parecia ter vida, havia uma satisfação doentia em fazer isso.
Eles colecionaram os pequenos ódios e carregavam em uma mochila por todo esse tempo e pegaram seus amores esculpidos em papel, velhos, desgastados, com cores tristes, os dobraram em 4 partes e colocaram em uma gaveta cheirando a guardado e lembranças. Ela sentiu um doce e saudoso aroma (aquele dos ”primeiros dias do amor”) destacar-se do papel quando o atirou para a gaveta, ele ainda tentava um último argumento…apenas uma lágrima, foi o que ela respondeu.
Ela não ia mais fugir, buscar outras vidas para fugir de sua. Ficaria ali, e sentiria…e deixaria que isso fosse real, enfrentaria…sangrando.
Nem só de amor vive um amor, ela falou em voz alta. E a verdade agrediu seus ouvidos.
“Eles” se foram…
p.s. Não se trata de uma continuação…[Apenas o começo do fim!].
p.s.2 Seria auto-biográfico?
p.s. 3 Dê, apenas palavras… [adoooooooro vc!]
Abraço a todos…

